segunda-feira, 31 de agosto de 2009

©simonia fukue

Participando, como convidada, da edição de agosto da ESCRITORAS SUICIDAS

domingo, 9 de agosto de 2009

Outono

a tarde ainda se faz dia

hesita em anoitecer


o vento cochila imóvel

cansado de tanto calor


a madressilva repousa

na jardineira do muro

pensando em nada

quieta

feito a rua a seus pés


a tarde se estremece

e volta a entardecer


outono de faz de conta

chuva que não se lembra

do compromisso marcado


no terraço ela sonha

com o verão que passou

o livro aberto no colo


alguma mão invisível

move de leve a roseira

tirando uma folha morta


ela sorri e levanta

lembrou-se do pai

por quê?

Porque hoje é dia dos pais.

"Ah, se esse mundo eu fizera
duas coisas não criara:
o tempo, que tudo altera
e a distância, que separa."
Cornélio Leal

Uma quadrinha do meu pai, que o tempo já levou mas que nunca me deixou.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

DIVERSOS AFINS - 35ª Leva

Foto: Alexandre Fonseca

CICERONEANDO



Antes mesmo que pudéssemos estar aqui convivendo com nossos ecos a se dispersarem por todas as partes, sempre existiu o primeiro senhor de todas as horas – o silêncio. Alguns já o cantaram em prosa e verso, percebendo nele uma fonte complexa e misteriosa de saberes. Até pode parecer que necessitemos com urgência atirar nossa verborragia para todas as direções, evocando as atenções para o que pode soar além de nossas óbvias falas. Outros podem perceber a torrente de palavras como um modo de afugentar-se da solidão intensa e cortante das horas. No entanto, o desacelerar dos ímpetos é capaz de nos revelar que há vida abundante e esclarecedora no silêncio íntimo e pessoal de cada um de nós. A cada Leva que se anuncia, pulsa uma descoberta do mundo, tal como apregoava uma visceral Clarice Lispector. Como num jogo de coincidências inimagináveis, as pessoas que por aqui passam agora tecem os fios de uma cumplicidade inerente ao ser humano: o percurso pelos temas recorrentes da alma. Há o compartilhar de paisagens intimistas nas vozes poéticas de Mara Faturi, André de Freitas Sobrinho, Graça Pires,Miguel Ángel Muñoz, Rafael Nolli, Nestor Lampros e Alexandre Bonafim.Pelas escutas em torno das falas do artista plástico Sérgio Lucena, os propósitos da arte assumem um caráter do olhar sublime sobre a essência da qual somos realmente feitos. Em Gerusa Leal e Valéria Freitas, as linhas abrigam os fragmentos nossos que sobraram depois da grande explosão. Na crônica de Tekka Whitman, a memória é uma senhora cuja eternidade sempre rondou desavisada sob o sol. Sentimentos humanos contraditórios habitam a tônica da resenha cinéfila de Larissa Mendes. Tudo aqui é devidamente compartilhado com as imagens poéticas captadas pelas sensíveis lentes do fotógrafo Alexandre Fonseca, cujo registro nos assoma pelos recortes humanos que transcendem o real. Eivada de silêncio, luzes e verbos uma Trigésima Quinta Leva de expressões conduz os passos adiante.

Fabrício Brandão & Leila Andrade

terça-feira, 23 de junho de 2009

Joana

Palavra que me assustei quando a garota bateu no vidro. A camiseta surrada torcida pela mão direita, com a esquerda faz sinal para eu abrir. Primeiro aceno que não, com a cabeça, depois abro só um pouco.

- É para quadrilha?

Vejo-a levantar a cabeça, abrir mais os olhos negros e balbuciar:

- É, sim, senhora.

Apanho uma moeda de um real na carteira e ponho na mão da menina. Pelo retrovisor, de costas, caminha devagar demais para quem devia aproveitar o sinal fechado abordando outros carros. Interessante como é ilusória a distância aparente do que se vê pelo retrovisor.

O sinal abre, ponho o carro em movimento. Continuo pensando na mocinha. Mais que pensando, vendo. Trajava short curto, que acentuava as pernas longas e jovens, camiseta e chinelos, os cabelos castanhos colados à cabeça por grampos, ou biliros, como os chamava minha avó.

Minha avó. O arraial era no final da rua em que morava, a poucos metros da casa de meus pais. Local interdito para nós fora da época em que começavam os ensaios até as festas juninas. Meus pais - meu pai pouco falava, minha mãe era a porta-voz oficial - diziam que a vizinhança do fim da rua era de gente que não devíamos freqüentar. Mas perto do São João conseguíamos convencê-los a deixar participarmos dos ensaios e preparativos para os festejos. Sob os olhos vigilantes de minha avó sentada na cadeira favorita na calçada, os dedos ágeis tecendo paninhos de crochê.

Parecia constrangida, não tinha a desenvoltura dos rapazes e moças que nos abordam nos sinais de trânsito, nessa época do ano, alguns vestindo por cima das camisetas, shorts, bermudas ou calças compridas, saias modelo matuto estilizado já meio surradas, e até esboçando passos de dança enquanto os outros fazem a coleta junto aos motoristas. Ainda estamos em abril e eu havia esquecido que hoje em dia passou semana santa já é São João.

Ela me deu a moeda. Não ia dar não. Eu vi. Não sei onde arrumei cara pra mandar ela abaixar o vidro. Nem precisei falar nada. Pra quadrilha. Nem tinha pensado nisso. Já tinha a fala preparada e ensaiada. Apostava que ia ser mais difícil.

Mais do que vendo, sentindo, ou pressentindo, enquanto se aproximava do carro. Já estava lá. Mas me pareceu que aumentou depois que eu pus a moeda em sua mão. Vou para casa levando, no banco do carona, o constrangimento da mocinha no corpo e num rosto que não trazia o sorriso despreocupado de jovens curtindo vésperas de festas.

- É pra quadrilha.

- Como é?

- De São João.

- Outro dia.

Diabo.

Curtia a festa mas gostava era dos ensaios, as paqueras, os namoricos, mesmo não conseguindo que Edu fosse meu par. O consolo é que na festa todo mundo dança com todo mundo. Invejava Laura. Mas ela engravidou, não pôde naquele ano e foi minha chance. Na hora da formação dos pares, o meu também não apareceu, de cama com resfriado. Daí para o namoro foi um pulo.

- A senhora podia colaborar?

- Quadrilha?

- É, de São João.

- Tenho não.

Meleca. Que é que eu faço?

- Moço, colabora?

- Tenho uma proposta melhor, sobe no carro.

Nojento.

Isso não vai dar certo. Tô perdida.

- Moça, colabora?

Mais um real. Beleza.

- Moço, uma ajuda.

- Com esse sorriso posso até ser o noivo.

- Na minha quadrilha já tem noivo, moço.

- Tá bom, toma aqui um trocado. Mas se o noivo largar a noiva, sempre passo por aqui.

- Moça, um trocado pra ajudar nas roupas.

- Tô precisando de faxineira.

Puta.

Vamo, vamo, Joana / findou-se o inferno / houve um bom inverno / há fartura no sertão. / Ai, Joana, traz pamonha, milho assado / vou matá de bucho inchado / quem num crê no meu sertão.

Parecia tão insegura, vai ver tinha ensaiado todo um discurso para me convencer a contribuir e eu frustrei antecipando a razão da abordagem. Posso até ter ofendido quando simplesmente pus a moeda na mão dela. Como eu posso ser desastrada às vezes. Não adianta agora ficar me martirizando, não tive intenção, ela supera.

- Como é que é, galera? Vamos somar o apurado.

- Levantei trinta paus. Deu mais uns trocados mas eu tava com sede, comprei uma coca.

- Aqui tem mais vinte e cinco.

- Quarenta e três.

- E tu, traste? Conseguisse ao menos cinco paus?

- Fala assim comigo não.

- Ih, Joana, vem com choradeira não, já te disse. Ou entra no esquema ou tudo acabado entre nós. Me dá logo esses trocados. Porra, que é que é isso? Deixa eu contar. Cinqüenta e dois paus e quarenta e cinco centavos. De que jeito arranjasse essa grana? Eu não vou devolver nada não tu tá sabendo. Aqui é bateu morreu. Vai, diz logo, esperta.

Laura fazia sucesso como os rapazes. Talvez por isso também estivesse incluída por minha mãe na categoria dos proscritos do fim da rua. Minha melhor amiga na época acabou sendo também uma moradora do fim da rua. Tereza. Conquistou até minha mãe, que passou a dobrar a metragem na compra da chita para o vestido de matuta e costurar o meu e o dela. Os padrões do tecido e modelos um pouco diferentes, para não parecermos par de jarros, éramos as matutas mais bem vestidas da festa. Nem assim tínhamos vez quando Laura estava no grupo.

- Foi no sinal, eu juro. Como tu dissesse pra eu fazer.

- Tu agora deu pra mentir também, foi?

- Ai, foi no sinal sim, uma dona me deu uma idéia que deu certo.

- Uma idéia? Que papo é esse? Ficasse contando nossos planos pros otários é? Mas só levando bolacha mesmo.

- Não, ai, foi nada disso. Ela pensou que eu tava recolhendo pra quadrilha de São João. Me deu facinho facinho, eu nem precisei dizer nada.

- Como é que é?

- Pois é. Foi assim. Eu aí comecei a passar o papo nos outros motoristas. Mesmo um bocado não dando nada, apurei isso aí.

- E não é que a esperta pensa, pessoal. Bom, muito bom. Com mais cem pratas dá pra comprar o ferro. Vai ser assim, então. Tu vai voltar pro sinal e conseguir o restante da grana.

Quem havia de dizer que meu namoro com Edu só durasse três meses? Ele era um arraso mas a gente não tinha nada a ver um com o outro. Logo depois que acabamos, sumiu no mundo. Diziam que o pai mandou ele morar em São Paulo com um tio, para estudar. E Laura nunca mais falou comigo.

- É perigoso. Imagina se aparece gente de quadrilha mesmo. É capaz até de me bater.

- E desde quando isso é problema? Pelo menos apanha pra levantar a grana. Muda de sinal, sei lá, te vira. Te dou três dias.

Ô semana cheia. Ainda bem que é sexta, recebi salário, vou fazer compras e mais tarde pego um cinema.

Lá vêm de novo os meninos malabaristas.

Que será que foi feito de Laura? Dizia que eu tinha roubado o namorado e um dia ia me arrepender. Bobagens de adolescentes. Lembro que teve uma menina. Eu achava lindo o nome que tinha lhe dado.

E esse sinal que não abre. Como era mesmo o nome da garota?

- Joana, pega a bolsa, pega a bolsa. Vai embora, dona, vaza, vaza. Se olhar pra trás leva chumbo.

- Era ela.

- Ela quem?

- A moça do sinal. Acho que me reconheceu.

- Não interessa, esperta. Ela nunca mais vai saber da gente. E dona Laura vai ganhar uma bolsa de madame, que eu só quero o recheio da carteira e o celular. Viu como tu não podia arranjar namorado melhor?

Vamo, vamo, Joana / findou-se o inferno / houve um bom inverno / há fartura no sertão. / Ai, Joana, traz pamonha, milho assado / vou matá de bucho inchado / quem num crê no meu sertão.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Lançamento da FreePorto

Vídeo de lançamento da FreePorto

http://www.youtube.com/watch?v=tvudLmD_7Is

terça-feira, 26 de maio de 2009

JAGUADARTE



Era briluz. As lesmolisas touvas
Roldavam e relviam nos gramilvos.
Estavam mimsicais as pintalouvas,
E os momirratos davam grilvos.

"Foge do Jaguadarte, o que não morre!
Garra que agarra, bocarra que urra!
Foge da ave Felfel, meu filho, e corre
Do frumioso Babassurra!"

Ele arrancou sua espada vorpal
E foi atrás do inimigo do Homundo.
Na árvora Tamtam êle afinal
Parou, um dia, sonilundo.

E enquanto estava em sussustada sesta,
Chegou o Jaguadarte, ôlho de fogo,
Sorrelfiflando através da floresta,
E borbulia um riso louco!

Um, dois! Um, dois! Sua espada mavorta
Vai-vem, vem-vai, para trás, para diante!
Cabeça fere, corta, e, fera morta,
Ei-lo que volta galunfante.

"Pois então tu mataste o Jaguadarte!
Vem aos meus braços, homenino meu!
Oh dia fremular! Bravooh! Bravarte!"
Ele se ria jubileu.

Era briluz. As lesmolisas touvas
Roldavam e relviam nos gramilvos.
Estavam mimsicais as pintalouvas,
E os momirratos davam grilvos.

Augusto de Campos [transcriação de Jabberwocky, de Lewis Caroll]

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Na lata


Entrevista concedida ao poeta Samuca, e publicada no seu blog http://samucablogsantos.blogspot.com/ Confiram, lá, esta e outras matérias interessantes.

domingo, 17 de maio de 2009

Histórias Possíveis


Edição 42 da revista eletrônica Histórias Possíveis http://historiaspossiveis.wordpress.com/

“A razão cria cárceres mais escuros que a teologia. O inimigo do homem se chama Urizel (a Razão), o “deus dos sistemas”, o prisioneiro de si mesmo. A verdade não precede a razão e sim à percepção poética, isto é, da imaginação. O órgão natural do conhecimento não são os sentidos nem o raciocínio; ambos são limitados e na verdade contrários à nossa essência última, que é desejo infinito: “Menos do que tudo não pode satisfazer o homem”. O homem é imaginação e desejo”.[Otávio Paz, trad. de Sebastião Uchoa Leite]
Dos Colaboradores,
Gerusa Leal, de vidro transparente – com prescrições eu irei te preencher para facilitar a tua vida dolorosa
Leandro Resende, Primeiro Epílogo
Lúcia Bettencourt, A morte e a donzela
[Imagem: Richard Kalvar.]

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Resenha de Versilêncios no Homem Nerd


Resenha de Versilêncios no site http://www.homemnerd.com.br/
É só clicar na capa do livro após chegar no site que acessa a resenha. Se gosta de boas resenhas, principalmente de FC, passeie pelo site.

sábado, 9 de maio de 2009

um haicai recifense

entre os dedos
do pé da árvore
cócegas de grama

sábado, 2 de maio de 2009

Reverso do nada

Poema meu publicado no blog do Samuca. Confiram e naveguem pelo blog que tem, dentre outras pérolas, saída do forno, entrevista com a poeta Graça Graúna http://samucablogsantos.blogspot.com

sexta-feira, 1 de maio de 2009

terça-feira, 28 de abril de 2009

sábado, 18 de abril de 2009

eterno

mais que sorriso silente
mais que ruidosa mudez

mais que paleta de tintas
ressacada, quebradiça
que o pincel endurecido
no ateliê deserto

mais que partir outra vez
dói a terrível certeza
do retorno sempre certo


do livro Versilêncios

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Entrevista

Entrevista ao poetamigo, compositor, advogado, radialista, editor, cultivador e divulgador das artes e da cultura e gentefiníssima Luiz Alberto Machado, pernambucano radicado atualmente em Maceió, para o seu blog Varejo Sortido http://varejosortido.blogspot.com/2009/04/poetas-pernambucanos-entrevista-gerusa.html

terça-feira, 14 de abril de 2009

Foto no lançamento de Versilêncios

Foto no lançamento de Versilêncios, dia 26 de março 2009 na Biblioteca pública do Estado de Pernambuco - Digital Arte Imagem

segunda-feira, 6 de abril de 2009

in preciso

há proibições demais nas placas da vida
também tantos deve e é preciso
inscritos em letreiros quando olhamos para dentro
que raramente pisamos descalços
nos gramados de nossos sonhos


é proibido também divagar
assumir o devaneio pelo devaneio
é preciso viver?
o que diabos há de preciso
em qualquer arte?

terça-feira, 24 de março de 2009

Entrevista



A poesia de Gerusa Leal


O Café colombo conversou com a contista e agora poetisa Gerusa Leal, que está lançando o premiado Versilêncios.



Ouça o áudio em http://www.cafecolombo.com.br/

quarta-feira, 11 de março de 2009

Lançamento

Obra vencedora do Prêmio Edmir Domingues de Poesia 2007 da Academia Pernambucana de Letras, o livro é nosso primeiro solo.
Edição da autora, patrocínio do Sistema de Incentivo à Cultura da Prefeitura do Recife. Via Livros (2137-0300). / Livraria Imperatriz Shopping Tacaruna / inter.g@terra.com.br R$ 20,00

Serviço:
Lançamento em 26 de março de 2009, das 19h às 21h
Recital do grupo Vozes Femininas
Local: Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco
Rua João Lira, s/nº, Parque 13 de Maio
Fones: 3181 2647 / 3221 3716

Sejam bem-vindos

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Ana-crônica

O pai, cioso da virtude das filhas, sob a guarda de uma tia, permitiu que fossem ao baile no clube. A tia acreditava que o corte de cabelo à escovinha, quase máquina zero, dos meninos do Colégio Militar era garantia de masculinidade e certeza de casamento bem sucedido. Vista grossa se as via pulando o frevo de mãos dadas com algum. A única condição era passar na mesa a intervalos onde não houvesse tempo para mais que um beijinho, um amasso sem sair do salão.
Treze anos, e não achava graça nos meninos.
Saquinhos de filó cheios de confete e serpentina, fantasias, ele aparece. Muito, muito, muito mais velho que ela. Hoje seria chamado de tio. Olhou e estendeu a mão. Foi.
No meio dos foliões, abraçados, a cabeça repousada no peito dele. Sentiu que lhe cheirava os cabelos. E a cada quarto de hora batia o ponto na mesa da tia.
No primeiro cheiro no pescoço, o frio na espinha. Ele sorriu.
Ninguém falava. Fim de baile. Sem despedida. Não com palavras.
Dia seguinte, lá estavam outra vez, ela, a tia, as primas.
Tédio.
De repente uma mão. Quente. Um olhar, um sorriso. O cheiro nos cabelos, no pescoço.
Terça-feira gorda. Mal pisava o chão. Era o último dia e mesmo assim nada era dito, não se conversava. Circulavam pelo salão, mãos dadas, abraçados.
Hora de ir embora. Nem despedida, muito menos telefones.
Carnaval. Até hoje traz pressentimento de um roçar de rosto, um calor, um cheiro no cabelo, no pescoço, um arrepio. E a nostalgia do desejo por um beijo na boca que nunca aconteceu.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

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