sábado, 28 de novembro de 2009
VOZES FEMININAS - Festival de Inverno de Garanhuns 2009
http://www.youtube.com/watch?v=DcXXwPqrE4U
terça-feira, 24 de novembro de 2009
HISTÓRIAS POSSÍVEIS - EDIÇÃO ESPECIAL DE ANIVERSÁRIO
EDIÇÃO 54 – Superedição Comemorativa de 2 Anos
DOS COLABORADORES
DOS CONVIDADOS
DA ASSINANTE
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
2º PRÊMIO LITERATURA NO CELULAR - VENCEDORES
http://www.fliporto.net/2literatura_celular_vencedores.html
O meu foi classificado em 6º
"Amanhã já é setembro,
mas os ventos de agosto
sem mesura ou cerimônia
nem fúria nem desalento
ainda dançam e fustigam
as veredas do sem tempo
que se desenham no rosto."
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Bienal - Lançamento Contos de Oficina
No lançamento de Contos de Oficina 2009, na Bienal do Livro de Pernambuco, com Cleonice, Inah, Carrero e Ney. Foto cortesia de Heleno e Udinha.
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
terça-feira, 27 de outubro de 2009
GERMINA
domingo, 25 de outubro de 2009
sábado, 24 de outubro de 2009
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Bienal do Livro de Pernambuco - Sessão de autógrafos
Em sessão de autógrafos de Versilêncios na Plataforma de Lançamentos da Bienal Internacional do Livro de Pernambuco 2009, com André Cervinskis, prefaciador do livro, e Silvana Menezes, poetisa e atriz que fez recital com poemas da autora no evento.
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Bienal do Livro de Pernambuco - Homenagem a Terêza Tenório
sábado, 17 de outubro de 2009
Edição 53 de HISTÓRIAS POSSÍVEIS
As pessoas simplesmente fazem. Plantam tomates. Colhem abóboras. Pilotam tratores. Praticam abominações com animais de pequeno porte. Escritor não. Escritor trava. Escritor estanca. Escritor estrila. E aí, meu amigo, não há o que fazer, a não ser, talvez, usar o bloqueio a seu favor e escrever um conto.
[Edson Aran]
DOS COLABORADORES
Lúcia Bettencourt, Pornoproust
Nereu Afonso, Queria mesmo é que um raio caísse no final da história!
DO CONVIDADO
E DA ASSINANTE
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
domingo, 13 de setembro de 2009
HISTÓRIAS POSSÍVEIS - Edição 51
[Foto e texto: Jacob Aue Sobol. GREENLAND. Tiniteqilaaq. 2001. Greenlandic Sabine MAQE.]
Dos Colaboradores:
Gerusa Leal, Photoshop
Lúcia Bettencourt, Mamãe não pode saber
Marco Aurélio Cremasco, Dona Irê
Nereu Afonso, [comédia da angústia em frase única]
Wesley Peres, Carta De Um Romano Albino Ao Pai [pingos caindo nos seus devidos iiiis]
e+
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
De(mente)
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
domingo, 9 de agosto de 2009
Outono
a tarde ainda se faz dia
hesita em anoitecer
o vento cochila imóvel
cansado de tanto calor
a madressilva repousa
na jardineira do muro
pensando em nada
quieta
feito a rua a seus pés
a tarde se estremece
e volta a entardecer
outono de faz de conta
chuva que não se lembra
do compromisso marcado
no terraço ela sonha
com o verão que passou
o livro aberto no colo
alguma mão invisível
move de leve a roseira
tirando uma folha morta
ela sorri e levanta
lembrou-se do pai
por quê?
Porque hoje é dia dos pais.
quarta-feira, 29 de julho de 2009
DIVERSOS AFINS - 35ª Leva
Foto: Alexandre Fonseca CICERONEANDO
Antes mesmo que pudéssemos estar aqui convivendo com nossos ecos a se dispersarem por todas as partes, sempre existiu o primeiro senhor de todas as horas – o silêncio. Alguns já o cantaram em prosa e verso, percebendo nele uma fonte complexa e misteriosa de saberes. Até pode parecer que necessitemos com urgência atirar nossa verborragia para todas as direções, evocando as atenções para o que pode soar além de nossas óbvias falas. Outros podem perceber a torrente de palavras como um modo de afugentar-se da solidão intensa e cortante das horas. No entanto, o desacelerar dos ímpetos é capaz de nos revelar que há vida abundante e esclarecedora no silêncio íntimo e pessoal de cada um de nós. A cada Leva que se anuncia, pulsa uma descoberta do mundo, tal como apregoava uma visceral Clarice Lispector. Como num jogo de coincidências inimagináveis, as pessoas que por aqui passam agora tecem os fios de uma cumplicidade inerente ao ser humano: o percurso pelos temas recorrentes da alma. Há o compartilhar de paisagens intimistas nas vozes poéticas de Mara Faturi, André de Freitas Sobrinho, Graça Pires,Miguel Ángel Muñoz, Rafael Nolli, Nestor Lampros e Alexandre Bonafim.Pelas escutas em torno das falas do artista plástico Sérgio Lucena, os propósitos da arte assumem um caráter do olhar sublime sobre a essência da qual somos realmente feitos.
terça-feira, 23 de junho de 2009
Joana
Palavra que me assustei quando a garota bateu no vidro. A camiseta surrada torcida pela mão direita, com a esquerda faz sinal para eu abrir. Primeiro aceno que não, com a cabeça, depois abro só um pouco.
- É para quadrilha?
Vejo-a levantar a cabeça, abrir mais os olhos negros e balbuciar:
- É, sim, senhora.
Apanho uma moeda de um real na carteira e ponho na mão da menina. Pelo retrovisor, de costas, caminha devagar demais para quem devia aproveitar o sinal fechado abordando outros carros. Interessante como é ilusória a distância aparente do que se vê pelo retrovisor.
O sinal abre, ponho o carro em movimento. Continuo pensando na mocinha. Mais que pensando, vendo. Trajava short curto, que acentuava as pernas longas e jovens, camiseta e chinelos, os cabelos castanhos colados à cabeça por grampos, ou biliros, como os chamava minha avó.
Minha avó. O arraial era no final da rua em que morava, a poucos metros da casa de meus pais. Local interdito para nós fora da época em que começavam os ensaios até as festas juninas. Meus pais - meu pai pouco falava, minha mãe era a porta-voz oficial - diziam que a vizinhança do fim da rua era de gente que não devíamos freqüentar. Mas perto do São João conseguíamos convencê-los a deixar participarmos dos ensaios e preparativos para os festejos. Sob os olhos vigilantes de minha avó sentada na cadeira favorita na calçada, os dedos ágeis tecendo paninhos de crochê.
Parecia constrangida, não tinha a desenvoltura dos rapazes e moças que nos abordam nos sinais de trânsito, nessa época do ano, alguns vestindo por cima das camisetas, shorts, bermudas ou calças compridas, saias modelo matuto estilizado já meio surradas, e até esboçando passos de dança enquanto os outros fazem a coleta junto aos motoristas. Ainda estamos em abril e eu havia esquecido que hoje em dia passou semana santa já é São João.
Ela me deu a moeda. Não ia dar não. Eu vi. Não sei onde arrumei cara pra mandar ela abaixar o vidro. Nem precisei falar nada. Pra quadrilha. Nem tinha pensado nisso. Já tinha a fala preparada e ensaiada. Apostava que ia ser mais difícil.
Mais do que vendo, sentindo, ou pressentindo, enquanto se aproximava do carro. Já estava lá. Mas me pareceu que aumentou depois que eu pus a moeda em sua mão. Vou para casa levando, no banco do carona, o constrangimento da mocinha no corpo e num rosto que não trazia o sorriso despreocupado de jovens curtindo vésperas de festas.
- É pra quadrilha.
- Como é?
- De São João.
- Outro dia.
Diabo.
Curtia a festa mas gostava era dos ensaios, as paqueras, os namoricos, mesmo não conseguindo que Edu fosse meu par. O consolo é que na festa todo mundo dança com todo mundo. Invejava Laura. Mas ela engravidou, não pôde naquele ano e foi minha chance. Na hora da formação dos pares, o meu também não apareceu, de cama com resfriado. Daí para o namoro foi um pulo.
- A senhora podia colaborar?
- Quadrilha?
- É, de São João.
- Tenho não.
Meleca. Que é que eu faço?
- Moço, colabora?
- Tenho uma proposta melhor, sobe no carro.
Nojento.
Isso não vai dar certo. Tô perdida.
- Moça, colabora?
Mais um real. Beleza.
- Moço, uma ajuda.
- Com esse sorriso posso até ser o noivo.
- Na minha quadrilha já tem noivo, moço.
- Tá bom, toma aqui um trocado. Mas se o noivo largar a noiva, sempre passo por aqui.
- Moça, um trocado pra ajudar nas roupas.
- Tô precisando de faxineira.
Puta.
Vamo, vamo, Joana / findou-se o inferno / houve um bom inverno / há fartura no sertão. / Ai, Joana, traz pamonha, milho assado / vou matá de bucho inchado / quem num crê no meu sertão.
Parecia tão insegura, vai ver tinha ensaiado todo um discurso para me convencer a contribuir e eu frustrei antecipando a razão da abordagem. Posso até ter ofendido quando simplesmente pus a moeda na mão dela. Como eu posso ser desastrada às vezes. Não adianta agora ficar me martirizando, não tive intenção, ela supera.
- Como é que é, galera? Vamos somar o apurado.
- Levantei trinta paus. Deu mais uns trocados mas eu tava com sede, comprei uma coca.
- Aqui tem mais vinte e cinco.
- Quarenta e três.
- E tu, traste? Conseguisse ao menos cinco paus?
- Fala assim comigo não.
- Ih, Joana, vem com choradeira não, já te disse. Ou entra no esquema ou tudo acabado entre nós. Me dá logo esses trocados. Porra, que é que é isso? Deixa eu contar. Cinqüenta e dois paus e quarenta e cinco centavos. De que jeito arranjasse essa grana? Eu não vou devolver nada não tu tá sabendo. Aqui é bateu morreu. Vai, diz logo, esperta.
Laura fazia sucesso como os rapazes. Talvez por isso também estivesse incluída por minha mãe na categoria dos proscritos do fim da rua. Minha melhor amiga na época acabou sendo também uma moradora do fim da rua. Tereza. Conquistou até minha mãe, que passou a dobrar a metragem na compra da chita para o vestido de matuta e costurar o meu e o dela. Os padrões do tecido e modelos um pouco diferentes, para não parecermos par de jarros, éramos as matutas mais bem vestidas da festa. Nem assim tínhamos vez quando Laura estava no grupo.
- Foi no sinal, eu juro. Como tu dissesse pra eu fazer.
- Tu agora deu pra mentir também, foi?
- Ai, foi no sinal sim, uma dona me deu uma idéia que deu certo.
- Uma idéia? Que papo é esse? Ficasse contando nossos planos pros otários é? Mas só levando bolacha mesmo.
- Não, ai, foi nada disso. Ela pensou que eu tava recolhendo pra quadrilha de São João. Me deu facinho facinho, eu nem precisei dizer nada.
- Como é que é?
- Pois é. Foi assim. Eu aí comecei a passar o papo nos outros motoristas. Mesmo um bocado não dando nada, apurei isso aí.
- E não é que a esperta pensa, pessoal. Bom, muito bom. Com mais cem pratas dá pra comprar o ferro. Vai ser assim, então. Tu vai voltar pro sinal e conseguir o restante da grana.
Quem havia de dizer que meu namoro com Edu só durasse três meses? Ele era um arraso mas a gente não tinha nada a ver um com o outro. Logo depois que acabamos, sumiu no mundo. Diziam que o pai mandou ele morar em São Paulo com um tio, para estudar. E Laura nunca mais falou comigo.
- É perigoso. Imagina se aparece gente de quadrilha mesmo. É capaz até de me bater.
- E desde quando isso é problema? Pelo menos apanha pra levantar a grana. Muda de sinal, sei lá, te vira. Te dou três dias.
Ô semana cheia. Ainda bem que é sexta, recebi salário, vou fazer compras e mais tarde pego um cinema.
Lá vêm de novo os meninos malabaristas.
Que será que foi feito de Laura? Dizia que eu tinha roubado o namorado e um dia ia me arrepender. Bobagens de adolescentes. Lembro que teve uma menina. Eu achava lindo o nome que tinha lhe dado.
E esse sinal que não abre. Como era mesmo o nome da garota?
- Joana, pega a bolsa, pega a bolsa. Vai embora, dona, vaza, vaza. Se olhar pra trás leva chumbo.
- Era ela.
- Ela quem?
- A moça do sinal. Acho que me reconheceu.
- Não interessa, esperta. Ela nunca mais vai saber da gente. E dona Laura vai ganhar uma bolsa de madame, que eu só quero o recheio da carteira e o celular. Viu como tu não podia arranjar namorado melhor?
Vamo, vamo, Joana / findou-se o inferno / houve um bom inverno / há fartura no sertão. / Ai, Joana, traz pamonha, milho assado / vou matá de bucho inchado / quem num crê no meu sertão.
terça-feira, 2 de junho de 2009
terça-feira, 26 de maio de 2009
JAGUADARTE

Roldavam e relviam nos gramilvos.
Estavam mimsicais as pintalouvas,
E os momirratos davam grilvos.
"Foge do Jaguadarte, o que não morre!
Garra que agarra, bocarra que urra!
Foge da ave Felfel, meu filho, e corre
Do frumioso Babassurra!"
Ele arrancou sua espada vorpal
E foi atrás do inimigo do Homundo.
Na árvora Tamtam êle afinal
Parou, um dia, sonilundo.
E enquanto estava em sussustada sesta,
Chegou o Jaguadarte, ôlho de fogo,
Sorrelfiflando através da floresta,
E borbulia um riso louco!
Um, dois! Um, dois! Sua espada mavorta
Vai-vem, vem-vai, para trás, para diante!
Cabeça fere, corta, e, fera morta,
Ei-lo que volta galunfante.
"Pois então tu mataste o Jaguadarte!
Vem aos meus braços, homenino meu!
Oh dia fremular! Bravooh! Bravarte!"
Ele se ria jubileu.
Era briluz. As lesmolisas touvas
Roldavam e relviam nos gramilvos.
Estavam mimsicais as pintalouvas,
E os momirratos davam grilvos.
Augusto de Campos [transcriação de Jabberwocky, de Lewis Caroll]
sexta-feira, 22 de maio de 2009
Na lata




